Salar de Uyuni é o maior deserto de sal do mundo - com aproximadamente 12.000 KM² e cerca de 3.600 metros de altitude acima do nível médio do mar. Está localizado nos departamentos de Potosí e Oruro, no sudoeste da Bolívia, perto da Cordilheira dos Andes. Essa planície de sal foi formada em um lento processo: há milhares de anos havia lagos nessa região, a água dos lagos então evaporou e resultou na paisagem do deserto que se vê hoje.

 

A travessia por essa região é um dos roteiros turísticos mais bem sucedidos de toda a Bolívia e atrai, durante todo o ano, visitantes estrangeiros em busca de experiências exclusivas em terras sul-americanas. Seja durante o inverno, quando aquela imensidão branca ameaça cegar os olhos dos desavisados, ou nos meses de verão, quando degelo e chuvas formam uma lâmina que reflete um céu sem fim, o Salar de Uyuni é sempre garantia de boas imagens e momentos contemplativos.

 

O passeio é, inquestionavelmente, lindo e impressiona pelos cenários. Entretanto há diversos pontos que podem ser computados como negativos e devem ser considerados. É um passeio cansativo, em que você fica em acomodações simples, que nem sempre são confortáveis ou muito bem higienizadas. A comida pode deixar a desejar, os quartos devem ser compartilhados com outras pessoas e o banho quente pode ser um artigo de luxo.

 

Perrengues e um pouco de emoção fazem parte da viagem ao Salar de Uyuni, um lugar de belezas incontestáveis e paisagens deslumbrantes.

 

Como Chegar: O tour ao Salar de Uyuni pode ser realizado tanto a partir da Bolívia quanto do Chile. Começando pela Bolívia, a chegada se dá pelo aeroporto de La Paz, em seguida deve-se ir até a cidade de Uyuni para dar início ao trajeto. Já pelo Chile, o voo chega à Calama, de onde se deve prosseguir até San Pedro de Atacama - ponto de partida para a maior planície de sal do mundo.

 

Nota 01: Apesar do valor do tour no território boliviano ser mais em conta do que no chileno, eu aconselho, indico e recomendo fazer o trajeto de San Pedro de Atacama a Uyuni. Acho que nesse sentido a viagem é muito mais interessante, a ordem das atrações é perfeita e o Salar de Uyuni - a cereja do bolo - fica para o último dia, fechando o passeio com chave de ouro.

 

Agência: Escolha uma boa agência de turismo para fazer a viagem pelo deserto, o preço deve ser somente um dos critérios. Pesquise referências na internet, pergunte a amigos e converse com outros turistas. Opte pela melhor possível, a mais recomendada, a que mais te deixou tranquilo ao tirar as dúvidas. Os tours incluem transporte durante todo o trajeto, alimentação (se você for vegetariano, algo bastante comum entre estrangeiros que visitam a região, avise a agência com antecedência) e hospedagem em pequenos estabelecimentos locais.

 

Nota 02: Embarquei em San Pedro de Atacama com a Cordillera Traveller e adorei. O investimento é de 130.000 CLP (pesos chilenos) à vista. Valeu a pena!

 

Tour: Referências ajudam, mas cada tour é um tour e cada guia/motorista é um guia/motorista. A agência pela qual optei era bem recomendada e o guia/motorista era uma boa pessoa. O que faz a diferença no passeio é o guia/motorista. Se ele for chato, vai estragar a viagem de todos. Por outro lado, se ele for simpático, contribuirá para uma experiência coletiva inesquecível. É necessário sorte com o guia e com o grupo. Sorte com o grupo porque, no momento em que a turma é dividida em grupos de 06, as pessoas do seu grupo passam a ser praticamente sua família. Tudo o que acontece com um integrante, reflete nos demais. Então, se um viajante do seu grupo passar mal e precisar de socorro, todos deverão seguir o mesmo caminho. É imprescindível ter compreensão da situação, solidariedade para com o próximo, e acima de tudo, empatia.

 

Nota 03: A minha família era composta por mim, um casal brasileiro, um casal sul-africano com a filha linda de 05 anos e o guia/motorista. O guia/motorista não falava uma palavra em inglês, mas o casal sul-africano não foi prejudicado uma vez que eu fiquei de tradutora oficial. Sorte a deles, risos. A criança não se sentiu muito bem devido a altitude e, no segundo dia, passou tão mal que tivemos que pular algumas paradas do passeio (todas as lagunas altiplânicas) e ir imediatamente até o posto de saúde mais próximo, localizado em um povoado chamado Alota. Foi um imprevisto que poderia ter acontecido com qualquer um. Em seguida ela melhorou, almoçamos no povoado e seguimos até o Salar de Chiguana, onde tivemos a oportunidade de ver o trem passar no meio do deserto. Sorte a nossa! Se estivéssemos no roteiro tradicional não chegaríamos a tempo para o espetáculo. Foi um presente diante da adversidade ocorrida. Quando as coisas saem do trilho, novas possibilidades e novas oportunidades estão a caminho, apesar de não termos a sensibilidade de perceber que esses desvios da vida são necessários para resultar em uma viagem repleta de surpresas com destino à felicidade.

 

Moeda: A moeda local é o peso boliviano, simbolizado por BOB. O lugar ideal para efetuar o câmbio em San Pedro é na Calle Toconao. Leve pelo menos 300 BOB para o tour a Uyuni.

 

Melhor Época: A região pode ser visitada durante todo o ano. A escolha é de acordo com sua preferência: o salar seco ou alagado. A paisagem é totalmente diferente. O salar seco é branco. Na época de chuvas ele fica alagado com cerca de 30 cm de água e se torna um espelho gigantesco que reflete o céu no chão - uma imagem que não tem preço. No inverno (época de seca), de Abril a Novembro, o que fica evidenciado é o mar de sal, uma paisagem branca que chega a doer os olhos com o brilho do sol. A desvantagem é o frio - a temperatura pode ficar abaixo de 0º durante a noite - sendo Junho e Julho o ápice do inverno. A vantagem é que essa é a melhor época para fazer as famosas fotos de dimensão. Nos meses de Abril, Maio, Outubro e Novembro não fazem tanto frio e a tendência é que o salar esteja seco. Já no verão, de Dezembro a Março, há chuvas na região. A água se acumula sobre o sal e forma uma fina camada que funciona como espelho. O céu é refletido no chão e a linha do horizonte desaparece em certos momentos. A impressão das fotos é que a pessoa está andando sobre as nuvens. Por conta da chuva, a viagem é mais arriscada. Dependendo da semana não é possível ir a certos lugares do Salar do Uyuni. Ainda assim há quem arrisque. Alguns mochileiros já fizeram a viagem em Dezembro e Janeiro e conseguiram pegar as duas facetas do salar: espelho d’água nas pontas e seco no meio. Se for no verão, é interessante pensar em um plano B, caso o salar esteja intransitável, ou ir com mais tempo, para não calhar de pegar muita chuva justamente nos poucos dias que estiver por La Paz. Ou seja, não vá com um roteiro apertado e fechado para todos os dias. O tempo é imprevisível.

 

Curiosidade: O Salar de Uyuni pode estar com os dias contatos, uma vez que é considerada a maior reserva de lítio do mundo - logo abaixo dos 12.000 KM² de camada sal. Ele abriga 05 milhões de toneladas de lítio, recurso amplamente utilizado na fabricação de baterias para automóveis híbridos e elétricos. Muitos países estão de olho para começar a explorá-lo.

 

Alerta: Beba MUITA água, sempre! Se necessário, mastigue folha de coca. É muito comum as pessoas passarem mal devido à altura. O Mal da Altitude, também chamado de Soroche ou Puna, é causado principalmente por conta da oxigenação reduzida no sangue e pode manifestar-se através de alguns sintomas como dor de cabeça, fadiga, náusea, tontura, falta de ar e coração palpitante. Então, em primeiro lugar, respeite o seu corpo e os seus limites. É aconselhável tomar o chá de coca em todas as situações. Outra opção é a bala de coca que, apesar de ter o mesmo efeito que o chá, demora mais para melhorar os sintomas. Se mesmo assim não estiver se sentindo bem, a sugestão é tomar umas cápsulas - Sorojchi Pills - que prometem alivio imediato contra o Mal de Altitude. Há também os pequenos sprays de oxigênio que podem ser comprados na farmácia com o nome de OxiShot. Não use medicação para dormir! Esses remédios causam diminuição da frequência respiratória e na altitude isso pode ocasionar até mesmo uma parada respiratória! Se estiver com dificuldades para dormir, tome um Diamox (125 ou 250mg) à noite, ele vai aumentar a frequência respiratória, propiciando uma melhor oxigenação noturna.

 

Lembrete: É exigido certificado internacional de vacinação contra febre amarela.

 

Dicas: Lave o cabelo um dia antes de iniciar a viagem. Leve alguns itens para tirar as fotos com perspectiva no Salar de Uyuni como Pringles, Toblerone, Coca-Cola, Cerveja, Brinquedo, entre outros. Guarde o papel de entrada no país e o de ingresso ao parque, você irá precisar deles.

 

O Que Levar: Água (5L), lanche (barra de cereal, biscoito, chocolate, salgadinho), roupas e sapatos confortáveis, chinelo, casaco, luvas, gorro, cachecol, protetor solar (FPS 50), protetor labial, chapéu, óculos escuros, hidratante para o corpo, traje de banho, toalha, lenços umedecidos, baterias extras para a câmera, carregadores portáteis para celular, papel higiênico, lanterna etc.

 

Importante: Eu, muito inocente, pensei que fosse fazer uma viagem de 03 dias onde a única atração turística fosse o Salar de Uyuni. Afinal, estaria no meio do deserto, onde haveria nada além do nada. Ledo engano. Fui surpreendida a cada instante do passeio com tanta vida ali presente. O tour passa por vários outros lugares encantadores da região como lagunas, vulcões, geysers e paisagens desérticas inesquecíveis.

 

Observação: O deserto e seus arredores, com vulcões, lagos, geysers e formações rochosas inusitadas, compõem um cenário único, de paisagens impressionantes e diversas que receberam o apelido de parque de diversões dos fotógrafos.

Salar de Uyuni

Salar de Uyuni: El Mayor Desierto de Sal del Mundo

De volta ao carro, segue-se viagem. No caminho, a 4.750 metros de altitude, notam-se algumas formações rochosas interessantes. É o famoso Deserto de Dalí. O pintor espanhol nunca esteve na Bolívia, mas o deserto ganhou seu nome por causa das formas surrealistas que foram moldadas pela natureza.

 

Após um bom tempo na estrada chega-se à terceira parada do dia: Las Aguas Termales de Polques, uma pequena piscina de águas vulcânicas que beiram os 30°C e que possuem propriedade curativa para artrite e reumatismo. A Laguna Salada, que faz parte do Salar de Chalviri, compõe o cenário exuberante. Não há custo algum para usufruir da terma, porém, se quiser ir ao banheiro e/ou vestiário terá que pagar 06 BOB.

 

Nota: A piscina é pequena – provavelmente irá estar/ficar cheia - e o tempo é curto, mas não pense duas vezes, viva a experiência! Lembre-se de mim, esqueça todos esses pequenos detalhes e viva o momento. Afinal, o que você vai contar aos seus netos? Que foi, mas ficou só olhando? Você viajou quilômetros para isso. Faça valer a pena, o momento é esse!

Após a refeição, troca-se de veículo - agora um jeep 4x4 - e divide-se a turma em grupos de 06. As malas são colocadas no topo do carro e serão retiradas apenas no alojamento. Leve uma mochila dentro do carro com itens básicos como água, lanche, óculos escuros, chapéu, casaco, protetor solar, protetor labial, toalha, papel higiênico, celular, câmera fotográfica, entre outros.

 

A terceira etapa é para comprar o ticket para a Reserva Nacional de Fauna Andina Eduardo Avaroa que custa 150 BOB. Guarde o ticket, pois deverá apresentá-lo no dia seguinte e caso o perca, terá que pagar novamente a quantia necessária. Para utilizar o banheiro, deverá pagar 400 CLP (pesos chilenos) ou 05 BOB.

 

Depois das três etapas, eis que começa a aventura mais desejada dos últimos tempos.

A primeira parada é na fascinante Laguna Blanca, situada a 4.350 metros de altitude e aos pés do Vulcão Licancabur. Suas águas estão repletas de minerais, o que concede à Laguna Blanca um tom esbranquiçado, de onde advém sua nomenclatura. Com seus quase 6 KM de comprimento e 3,5 de largura, a Laguna Blanca é praticamente um espelho que reflete a paisagem ao seu redor.

A segunda parada é logo adiante, na surpreendente Laguna Verde, situada aos pés do Vulcão Licancabur e na mesma altitude anterior. Sua cor é verde esmeralda devido à grande quantidade de minerais de magnésio, carbonato de cálcio, chumbo e arsênio.

 

Entretanto, quando chegamos, a coloração verde não estava aparente. O guia explicou, então, que é necessário vento para que os minerais presentes sejam espalhados pela laguna. E não foi diferente, quando a brisa soprou em nossa direção, trouxe consigo uma tonalidade estonteante à laguna que deixou todos os turistas encantados com tanta beleza.

Depois dessa pausa, segue-se para a quarta parada: Geysers Sol de Mañana - ponto mais alto de todo o passeio, a 4.990 metros acima do nível médio do mar. Com uma área de aproximadamente 02 KM², esse espaço desértico possui uma intensa atividade vulcânica, de onde podem ser vistos desprendimentos de vapor d´água que alcançam entre 10 e 50 metros de altura. A fumaça composta por enxofre é desconfortante devido ao forte odor exalado. É necessário muito cuidado ao andar, para não pisar em nenhuma cratera e causar sérias queimaduras.

Logo mais, parte-se em direção ao alojamento, Hostal Huayllajara, onde será passada a primeira noite. Todos os pertences são retirados do carro e colocados nos quartos. O almoço é servido e depois todos descansam um pouco até a hora do próximo passeio.

 

A quinta e última parada do primeiro dia é na extraordinária Laguna Colorada, situada a 4.278 metros de altitude. A laguna contém ilhas de sal bórax, cuja cor branca contrasta com a cor avermelhada de suas águas, que é originada por sedimentos vermelhos e pigmentação de algas. O espetáculo fica por conta da coloração avermelhada das águas e dos inúmeros flamingos presentes. As lhamas também fazem sucesso no local.

 

Note que, todo ano, em Novembro, cerca de 40 mil flamingos se reúnem às margens da laguna para o acasalamento. Lá, eles chocam seus ovos, que geram aproximadamente 10 mil filhotes, fazendo do local um dos mais importantes berços de flamingos no mundo.

De volta ao Hostal Huayllajara, um chá é servido e mais tarde o jantar. Nessa primeira noite, o banho fica de lado, aproveite para usar os lenços umedecidos. Antes de dormir, não deixe de dar um pulinho do lado de fora para conferir o céu espetacular.

 

Caso seja necessário, eles alugam saco de dormir por 20 BOB. Eu não o adquiri e dormi bem.

De volta ao carro, segue-se em direção às maravilhosas Lagunas Altiplânicas da Bolívia. A primeira é a Laguna Honda e na sequência as Lagunas Chiarcota, Hedionda e Cañapa. O almoço é servido nessa região e temperado com uma vista impressionante.

 

Após o almoço, continua-se a viagem, agora passando por um lindo caminho com uma vegetação muito verde e animais como pássaros, lhamas, ovelhas, raposas e vicunhas.

 

Caso aviste uma fumaça saindo do cume de algum vulcão, provavelmente é do Vulcão Ollagüe, um estratovulcão ativo, com uma cratera de 1.250 metros de diâmetro.

 

Em seguida, chega-se a um dos lugares que eu mais gostei durante o tour, o Salar de Chiguana, situado a 3.650 metros de altitude. Um deserto com um trilho de trem que realmente está ativo. O trem passa duas vezes ao dia, uma pela manhã e outra à tarde, e o nosso grupo teve o privilégio de assistir a esse acontecimento épico.

A última parada antes de chegar ao alojamento é no Pueblo San Juan, com um visual bastante simples e humilde. O guia nos levou a uma vendinha onde compramos algumas cervejas de sabores excêntricos como coca, mel e quinoa.

 

Por fim, chega-se ao famoso Hotel de Sal, onde tudo é realmente feito de sal, desde o chão, coberto por um sal fino, até as paredes, camas e bancos - feitos de sal maciço. A única parte do hotel que não é de sal é o banheiro, que por sinal é bem disputado entre os visitantes devido ao seu banho quente.

 

Durante o jantar, cada guia pergunta ao grupo responsável sobre os planos para o dia seguinte, já que há duas opções. A primeira é acordar as 05h00 da manhã, ver o sol nascer no Salar de Uyuni e tomar o café da manhã mais tarde. Para isso, o guia explica que há um custo extra, em torno de 10 BOB por integrante do grupo. A segunda opção é dormir até mais tarde, tomar café no hotel e então seguir para o Salar de Uyuni, sem custo adicional.

 

Acho que a maioria dos grupos sempre vota em ver o nascer do sol no Salar de Uyuni, afinal quem quer perder um evento inusitado desses?

Dia 03: Salar de Uyuni + Isla Incahuasi + Salar de Uyuni + Povoado de Colchani + Cementerio de Trenes + Uyuni

 

Finalmente o dia de conhecer o Salar de Uyuni chegou.

 

Às 05h00 da manhã todos estão de pé como foi combinado na noite anterior. Arruma-se o carro e segue-se rumo ao maior deserto de sal do mundo.

 

A sensação de entrar no salar é mágica. Cruza-se um bom caminho em direção ao centro, onde há uma parada para observar o deslumbrante nascer do sol.

Após o espetáculo, o destino é a Isla Incahuasi ou Isla de Cactus, uma ilha de cactos perdida no meio do deserto. Grandes cactos estão espalhados por toda a dimensão da ínsula, alguns milenares e de formas bem intrigantes. Estudos afirmam que os cactos crescem somente um centímetro por ano e lá existem cactos de mais de 03 metros de altura.

 

Para visitá-la, deve-se pagar 30 BOB. Há uma trilha interessante para percorrer e no cume é possível ter uma visão panorâmica do salar. No retorno, toma-se o café da manhã em grupo.

Salar de Chiguana
Salar de Uyuni
Salar de Uyuni
Laguna Blanca
Laguna Verde
Las Aguas Termales de Polques
Geysers Sol de Mañana
Laguna Colorada
Laguna Colorada
Árbol de Piedra
Salar de Chiguana
Hotel de Sal
Salar de Uyuni

Espero que tenham gostado... Boa viagem e até a próxima!

Salar de Chiguana

Roteiro

 

 

São vários tipos de tours que as agências oferecem ao deserto de sal. A diferença entre eles está na quantidade de dias que dura o passeio. O percurso é realizado em veículos 4×4 - a grande maioria Toyota Land Cruiser.

 

Partindo de Uyuni, há a possibilidade de fazer o tour em 01, 02, 03 ou 04 dias. O passeio de 01 dia sai da cidade de Uyuni e retorna até ela no final do dia. Os de 02 ou mais dias só regressam à cidade no último dia. As noites são passadas em alojamentos ou hotéis rústicos.

 

Se a saída for de San Pedro, o trajeto varia de 03 a 04 dias. O passeio de 03 dias é finalizado em Uyuni e o de 04 dias em San Pedro - é necessário 01 dia para realizar o caminho de volta.

 

O deserto de sal em si você vai conhecer do mesmo jeito, fazendo o tour de 01 ou mais dias. Saindo de Uyuni, o 1º dia é reservado para o Salar. Saindo de San Pedro de Atacama, o Salar é deixado para o 3º dia. Muitos viajantes começam o tour em San Pedro e terminam em Uyuni, ou vice-versa. Para isso é necessário fazer o tour de 03 dias.

 

O passeio de 03 dias no Salar de Uyuni passa por lugares muito altos, chegando até 4.990 metros de altitude. Para quem faz o tour saindo de Uyuni a subida é gradual e os 4.990 metros são atingidos na manhã do 3º dia do tour, nos Geysers Sol de Mañana. A segunda noite tem a hospedagem mais alta, a mais de 4.000 metros de altura.

 

Já para quem sai de San Pedro a situação é diferente. San Pedro está localizado a uma altitude menor do que Uyuni, a 2.400 metros. Logo, a altura de 4.990 metros é atingida logo no 1º dia do tour, quando os turistas ainda não estão muito aclimatados. O desnível é muito grande para um dia. E a primeira noite é a mais de 4.000 metros de altitude.

 

Por isso, mais turistas passam mal iniciando a viagem por San Pedro. Começando por Uyuni ainda há um tempinho para o corpo se acostumar um pouco. Mas é aquilo que eu comentei anteriormente: aconselho, indico e recomendo principiar por San Pedro. Acho que nesse sentido a viagem é muito mais interessante, a ordem das atrações é perfeita e o Salar de Uyuni - a cereja do bolo - fica para o último dia, fechando o passeio com chave de ouro.

Dia 01: San Pedro + Aduanas (Chile e Bolívia) + Laguna Blanca + Laguna Verde + Deserto de Dalí + Águas Termales de Polques + Geysers Sol de Mañana + Laguna Colorada + Hostal Huayllajara

 

Todos devem estar em frente à Cordillera Traveller às 07h45min.

 

Em um micro-ônibus, segue-se até a primeira etapa, a Aduana do Chile. É necessário apresentar o passaporte e a “tarjeta de turismo”. Todos tinham esse comprovante de turismo no Chile, menos eu - não sei se perdi ou o que aconteceu. O guia fez uma pressão psicológica dizendo que eu não iria conseguir sair do país, mas deu tudo certo, ainda bem.

 

Depois de percorrer mais alguns quilômetros, chega-se então à segunda etapa, ao Posto de Imigração da Bolívia - duas casinhas muito simples no meio do deserto. Os passaportes são carimbados e novos comprovantes de turismo são entregues. Guarde-os. Em seguida, a agência serve um café da manhã ali mesmo: pão, queijo, geleia, manteiga, leite, café e chá.

Inmigración de Bolivia
El Grupo

Dia 02: Árbol de Piedra + Lagunas Altiplânicas (Honda, Chiarcota, Hedionda e Cañapa) + Salar de Chiguana + Pueblo San Juan + Hotel de Sal

 

Acorda-se cedo, toma-se café, arruma-se o carro e parte-se a mil.

 

No caminho, confere-se o ticket da Reserva Nacional - aquele que eu alertei anteriormente para guardar já que seria exigido no segundo dia.

 

A primeira parada do dia é no Deserto de Siloli, mais precisamente no Árbol de Piedra - monólito natural de formação geomorfológica por erosão causada pelo vento muito forte da região. Parece que alguém esculpiu a pedra em forma de árvore, mas foi o próprio vento mesmo. Além dessa, que é a mais clássica, existem várias formações rochosas interessantes ao redor.

Isla Incahuasi

Depois da ilha, prossegue-se para mais uma parada no meio do deserto de sal. É uma parada demorada, suficiente para tirar as famosas fotos em perspectiva no Salar de Uyuni. As melhores fotos em dimensão são com o celular, pois a câmera fotográfica alterna o foco, atrapalhando a qualidade da imagem.

Salar de Uyuni

De volta ao carro, segue-se para o outro lado do salar, chegando ao mais antigo Hotel de Sal da Bolívia e em um monumento com bandeiras do mundo inteiro. Anda-se desse local até o monumento do Rally Dakar, onde todos entram novamente no carro.

Salar de Uyuni

Em seguida, é hora do último almoço em grupo, no povoado de Colchani, situado a 3.674 metros de altitude e caracterizado como o maior produtor de sal no país. Há um tempo livre no local para passear e comprar souvenirs nas barraquinhas. Para utilizar o banheiro paga-se 02 BOB.

 

Eu estava tão bem informada quanto às atrações turísticas a serem visitadas durante o tour, que quando o guia nos informou que a parada seguinte seria em um cemitério, eu imediatamente traduzi para o casal sul-africano em inglês, porém não entendi direito por qual motivo mesmo iríamos a um cemitério. Não entendi, mas aceitei a visita, afinal tudo o que eu tinha visto durante a viagem - exceto o Salar de Uyuni - tinha sido totalmente inesperado e completamente surpreendente. Logo, cheguei à conclusão que não poderia ser diferente com esse tal cemitério, que poderia ser atraente, bonito ou diferente. Após mais alguns minutos de conversa e explicação por parte do guia, eu entendi que a visita seria a um cemitério de trens e não de gente. Traduzi contente a informação, entretanto eles sabiam do que se tratava, menos eu. Todos riram.

 

A última parada antes da cidade de Uyuni é no Cementerio de Trenes, um aglomerado de velhas locomotivas abandonadas a céu aberto. “Así es la vida” é um dos escritos mais marcantes que se pode ler nas carcaças dos trens. A visita é interessante e excelente para fotografias.

Cementerio de Trenes

Ao final, o grupo decidiu contribuir com uma gorjeta para o guia/motorista já que ele foi muito simpático durante toda a viagem. Cada um colaborou com 20 BOB. Ele ficou muito feliz!

El Grupo

Chegando a Uyuni, o melhor a fazer é ir até o escritório da empresa Todo Turismo e comprar o bilhete de ônibus até La Paz - que custa aproximadamente 270 BOB. A viagem de ônibus entre as duas cidades demora entre 10 e 12 horas e é bem desconfortável. Os ônibus saem à noite e chegam no dia seguinte pela manhã em La Paz.

 

Depois, relaxe na agradável pracinha da cidade enquanto espera o horário de voltar ao escritório para embarcar no ônibus. Escolhemos um restaurante que tinha Wi-Fi e passamos a tarde comendo pizza e tomando cerveja. Nada mais justo depois da aventura realizada.